Angiologista.org

Sd. das Linfangites Difusas (Erisipela)

Dr. Hugo Coelho Neves - 13 de maio de 2012

COMPARTILHE:

Sinonímia: Febre-de-Santo-Antônio, Fogo de Santo Antônio, Mal-do-Monte, Mal-da-Praia, Erisipa.

Linfangite é a denominação utilizada para as afecções que cursam com inflamação dos vasos linfáticos. É causada por infecções oportunistas que acometem com mais frequência os membros inferiores, principalmente membros com edemas prévios.

O processo inflamatório pode se apresentar de diversas formas, de uma clínica “florida” à manifestações discretas, visto que, a variação do quadro clínico depende do local da lesão, do agente causador e do sistema de defesa do paciente. Por isto, as Linfangites são divididas em Tronculares (ver matéria sobre: Sd. das Linfangites Tronculares), em Difusas e nas Fasciítes. Essa divisão é apenas didática, visando a um melhor estudo, pois na clínica geralmente aparecem associadas. Entretanto, focaremos essa matéria nas Linfangites Difusas, denominadas por alguns autores de Linfangites Reticulares.

Nas Linfangites Difusas ocorre um comprometimento dos capilares subdérmicos devido à uma infecção da pele e de acordo com o agente agressor pode manifestar com maior ou menor intensidade, tanto local como sistêmica. Com isso, existem duas formas distintas de Linfangites Difusas: Erisipela Vera e Erisipelatóide.

Obs.: O autor sugere seguir a maneira de pensamento do Prof. Ney Almeida Melo, que visa a evitar confusão de interpretação com os Dermatologistas, que dão significado específico à denominação de Erisipelóide. Desta forma, temos três terminologias com significados diferentes: Erisipela Vera, Erisipelatóide e Erisipelóide (de Rosenbach).

-Erisipela Vera

A denominação Vera (significado: “Verdadeira”) foi adicionado a fim de separar da forma mais branda, conhecida como Erisipelatóide (-óide: “semelhante a”).

O agente mais frequente desta forma de Linfangite é o Streptococcus β-hemolítico, porém há relatos de casos causados por outras bactérias: S. aureus, S. pneumoniae, S. epidermidis, entre outras. O germe ao se instalar no corpo, o período de incubação é variável, mas ao iniciar as manifestações a evolução é rápida.

O quadro clínico apresenta manifestações locais e sistêmicas. As reações sistêmicas podem surgir primeiro devido à toxinas produzidas pela bactérias na corrente sanguínea, que são: febre alta, mal-estar, cefaleia, náuseas, vômitos, mialgias, estado toxêmico, desidratação.

Nas manifestações locais, a porta de entrada da infecção é quase sempre detectada e na maioria dos casos é devido a micose interdigital. A Erisipela Vera geralmente inicia com uma pequena mancha vermelha, quente, com dor em queimação, que progressivamente vai aumentando e surge edema de carácter linfático (“casca de Laranja”). A agressão intensa acarreta grande extravasamento de líquido com deslocamento da epiderme, que causa a formação de bolhas, e de hemácias, que poderá dar origem a pigmentação parda no local (ver matéria sobre: Formação da Pigmentação Parda). Com isso, o aspecto da pele é bastante típico, sendo a pele saudável nitidamente diferenciada da pele comprometida.

- Erisipelóide

Como definição é uma infecção de pele, que determina um quadro clínico semelhante à Erisipela Vera, também é chamada por alguns autores de Erisipela (sem o sobrenome “Vera”). Na maioria dos casos, é causada por  infecções de bactérias de baixa virulência (Staphylococcus) em membros previamente edemaciados.

O edema, seja de origem venosa ou linfática, compromete o sistema de defesa local e facilita a instalação e desenvolvimento da colônia de bactérias. Por isso, pessoas com membros inferiores edemaciados são acometidos repetitivamente por esta afecção, de tal forma que a equipe de Angiologistas do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (Escola do Prof. Fernando L. V. Duque) adicionou a este tipo de infecção um sobrenome: Erisipelatóide de repetição.

O Quadro clínico é mais brando em relação à Erisipela Vera e geralmente não cursa com manifestações sistêmicas, apenas reações locais, incluindo: eritema que progressivamente vai aumentando, dor em queimação e agravamento do edema linfático (muitas vezes previamente constatado). Todavia, nesta forma de manifestação o eritema não possui a borda bem delimitada, o extravasamento de líquido não é intenso e não gera à formação de bolhas e a pigmentação parda é menos marcante.

Há diversas complicações associadas à essas duas formas da Linfangite Difusa, são elas: Micose interdigital (sendo mais um agente facilitador do que uma complicação), Celulite indurativa (contaminação do tecido adiposo subcutâneo), Bacteremia e Eczema bactéricos. Sendo importante atentar para a principal complicação que é a obstrução linfática causada pela formação de fibrose intraluminal ou por compressão fibrótica extrínseca. Este processo tem como consequência a estase linfática e a instalação do Linfedema Secundário (ver matéria sobre: Sd. dos Linfedemas), que ocorre principalmente na forma de Erisipelatóide de repetição pelo grande comprometimento das vias de drenagem linfática ao longo das infecções repetitivas.

O tratamento engloba a profilaxia, que visa ao tratamento da micose interdigital e orientações específicas aos portadores de edemas crônicos, o tratamento das infecções com a utilização de antibióticos e curativos adequados, e o tratamento específico das complicações quando existentes.

O prognóstico depende do agente causador, do estado geral do paciente, do padrão das vias linfáticas e da presença de síndrome edemigênicas associadas. Geralmente, as Linfangites Difusas são autolimitadas, porém, deve ser feito um tratamento adequado a fim de minimizar os danos às vias linfáticas e evitar suas complicações, principalmente o Linfedema Secundário.

Erisipela Vera (fase Subaguda)                        Linfedema Secundrio

Foto: Fig.01.: Erisipela Vera em fase subaguda, sendo possível detectar a falta de cuidados higiênicos locais. Fig.02.: Linfedema Secundário à Linfangites recorrentes.

 

Referências Blibliográficas:

-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

-Mello N A. Grandes Síndromes Linfáticas. In: Ney Almeida Melo. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998. 322p

COMENTE ESTE ARTIGO
NOME:
COMENTÁRIO:
Esta área é exclusiva para comentários. Em caso de dúvidas clique aqui.
  • Youtube
  • Twitter
  • Facebook
  • SIGA-NOS:

Tsuru

desenvolvido pela