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Sndrome das Linfangites Tronculares

Dr. Hugo Coelho Neves - 19 de maro de 2012

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As Linfangites tronculares possuem uma forma bem característica de apresentação com traços lineares avermelhados, que se estendem na direção dos Linfonodos superficiais. Em muitos casos é relatado pelo paciente como “vergões vermelhos”.

Há diversos agentes etiológicos, como físicos (cortes, queimaduras, irradiação), químicos (alumínio, silício) e biológicos (bactérias, vírus, fungos), capazes de desencadear essa afecção. Esses agentes ao agredirem a parede linfática ocasiona uma reação inflamatória local, que atinge os vasos cutâneos (dermatite por contaminação), originando o aspecto avermelhado do quadro.

A clínica é acompanhada de dor em queimação local e os linfonodos regionais podem estar aumentados de volume e dolorosos (Linfadenite ou adenite satélite). Essa reação no linfonodo representa a reação de defesa à infecção, que ocorre em maior frequência nas inflamações causadas por bactérias, que ao migrarem passam obrigatoriamente pelo linfonodo. As manifestações sistêmicas como mal estar geral, febre (39 – 40o C) podem estar presentes mesmo antes de aparecerem os sintomas e sinais locais.

Entretanto, na maioria dos casos, as Linfangites tronculares se apresentam junto ao quadro das Linfangites difusas (Erisipela Vera e Erisipelatóide) e o tratamento engloba o uso de antiinflamatórios, analgésicos, antibióticos (nos casos de agentes bactéricos, em destaque: Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes) e medidas profiláticas, como: tratamento da micose interdigital, higienização dos pés, mantendo a área seca, entre outros cuidados locais.

Essas medidas profiláticas é de grande valia na sequência do tratamento, pois a presença de umidade entre os dedos acarreta a maceração da pele e a instalação da micose, que além de impedir a cicatrização,  facilita a penetração de bactérias, formando o ciclo de manifestações recorrentes.

Com isso, é importante ressaltar que a cada episódio dessa afecção gera um comprometimento das vias linfáticas (obstrução de troncos linfáticos pela formação de fibrose parietal), que contribui para a instalação de Linfedema Secundário.

É primordial que já nos primeiros sintomas e sinais seja feita a procura ou o encaminhamento ao Angiologista, afim de promover uma consulta especializada com uma avaliação do comprometimento vascular existente. Pois, quanto mais precoce for feito o diagnóstico correto, mais rápido será empregado o tratamento adequado e maior será a possibilidade de uma resposta terapêutica satisfatória.

Higienizao dos Ps       Linfedema 2a  Linfangites

Foto: Fig.01: Higienização dos Pés. Fig.02: Linfedema Secundário à Linfangites recorrentes.

Referências Bibliográficas:

-Mello, N. A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

-Mello, N. A. Grandes Síndromes Linfáticas. In: Ney Almeida Mello. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998. 269-289p

-Júnior, V. C; Castelli, J. B.; Santos, V. P. Linfangites e Erisipela. In: Francisco H. de A. Maffei; Sidnei Lastória; Winston B. Yoshida; Hamilton A. Rollo; Mariangela Giannini; Regina Moura (Eds.). Doenças Vasculares Periféricas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 1547-1556p

-Cataldo, J. L. Linfangites e Erisipelas. In: João Batista Thomaz; Cleusa Ema Quilici Belczak (Eds.). Tratado de Flebologia e Linfologia. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2006.799-808p

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