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Sndrome da Insuficincia Venosa Crnica

Dr. Hugo Coelho Neves - 02 de novembro de 2011

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Sinonímia: Síndrome Pós-Trombótica

É uma doença vascular que afeta a pele e o tecido adiposo subcutâneo, restrita aos membros inferiores, consequente à estase venosa prolongada.

A falha de qualquer elemento componente do sistema fisiológico do retorno venoso (ver artigo: “O Retorno Venoso”) pode determinar estase venosa e consequentemente a síndrome.

A causa mais frequente de IVC é a Trombose Venosa Profunda nos membros inferiores, cujo o obstáculo determina estase venosa. E na recanalização da veia não determina a volta ao estado anterior, pois ficam sequelas (dilatação e avalvulamento do segmento trombosado) que intensifica o prejuízo no retorno venoso.

É pouco provável que as varizes essenciais, sem comprometimento das veias pérfuro-comunicantes, possam determinar o quadro clínico da IVC, segundo Mello¹. Isto porque a drenagem venosa pelo sistema safeno é de participação limitada (10 a 15%) no retorno venoso dos membros inferiores. Quando há falha funcional do sistema venoso superficial, leva apenas ao edema e de modo limitado ao seu local de drenagem (maléolo).

A hipertensão das veias se transmite retrogradamente aos capilares, que devido a estase capilar, ocasiona a primeira manifestação objetiva da estase venosa nos membros inferiores, que é o  edema. Essa manifestação é mais intensa ao anoitecer e não esta presente após o repouso noturno. Por ser mais marcante na musculatura da panturrilha, o edema de origem venosa é considerado por Duque² como edema suspenso e não atinge o dorso do pé. Pode ser evidenciado pelo empastamento da panturrilha, sinal de Duque e medição da circunferência.

Sendo importante ressaltar que edema proporciona mais edema. Isso ocorre pelo fato de gerar extravasamento de proteínas (aumenta a saída de liquídos), certo bloqueio das vias linfáticas e por prejudicar os mecanismos de defesa, que facilita a instalação de quadros infecciosos, podendo causar obstrução linfática.

Nessa fase há relato de sensação de dor “surda”, peso e cansaço nas pernas, principalmente ao final do dia variando de acordo com a postura (longo tempo sentado ou em pé) e atividades desenvolvidas.

A segunda manifestação da IVC é a hiperpigmentação parda (dermatite ocre), que é consequência do extravasamento de hemácias. As hemácias ao se desintegrarem no interstício, liberam hemoglobinas, que se decompõem em globina (eliminada pelas vias linfáticas) e no radical heme, que contém ferro e inicialmente são eliminados pelos macrófagos. Com a cronificação desse processo, os macrófagos passam a ser insuficientes e o pigmento de ferro passa a ser excluído do meio interno através da formação de fibrose pelos fibroblastos, constituindo-se numa verdadeira tatuagem espontânea.

A manifestação mais grave da estase venosa nos membros inferiores é a úlcera, que predomina no terço inferior e inicia na face interna acima da região do maléolo interno. Apresenta-se de tamanho variado e pode chegar a forma circular. As bordas podem estar elevadas e maceradas por uso excessivo de pomadas, geralmente é única, secretante e com fundo “sujo”. Neste momento é frequente a queixa de dor na região, mesmo quando o membro esta em repouso.

Há outras manifestações que podem acontecer e somar ao quadro do paciente com IVC, são elas: infecções (Erisipela Vera, Erisipelatóide de repetição, Linfangites...), celulite indurativa, linfedema, eczemas e micose interdigital.

A Síndrome de IVC pode ser classificada de diversas maneiras, uma delas é a classificação de CEAP (C = clínica, E = etiologia, A = anatomia, P = patologia). Ver a classificação completa.

O tratamento da IVC, geralmente não leva a cura. Todavia, pode ser esquematizado em: Tratamento Profilático (elevação dos pés da cama, exercícios bem orientados, uso de meias elásticas e evitar condições que facilitam a instalação da trombose venosa profunda) e Tratamento Sindrômico, incluindo a terapêutica do edema, da hiperpigmentação parda e da úlcera.

O prognóstico depende do grau do estágio da IVC, da presença de complicações e da condição socio-econômica do paciente, que muitas vezes tem que ensiná-lo uma nova forma de vida.

Fig.1- Sd. da IVC

Foto: Paciente com Sd. de IVC (úlcera de estase venosa, com início em região supramaleolar, no momento atingindo região maleolar) com comprometimento linfático (episódios prévios de erisipelatóides de repetição).

Referências Blibliográficas:

-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

-Mello N A. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998. 322p

-Mello N A. Aula: Síndrome da Insuficiência Venosa Crônica. Curso de Especialização em Angiologia da Esc. Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.

1. Mello N A.: Informação Pessoal.

2. Duque F L V: Informação Pessoal.

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