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Atrofia Branca de Milian

Dr. Hugo Coelho Neves - 05 de outubro de 2011

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Também conhecida como Vasculite Livedóide, descrita pela primeira vez em 1929 por Milian¹, é uma lesão da camada derme na qual há surgimento de cicatrizes atróficas, pequenas e esbranquiçadas. Geralmente, ocorre nas extremidades dos membros inferiores, que pode aparecer sem ulceração ou precedida por ela. Essas úlceras, quando presente, possuem características isquêmicas, como: serem rasas, muito dolorosas, secas, de difícil cicatrização e deixam cicatrizes brancas atróficas.

Alguns autores (Mello², Ryan³), defendem que a mais comum associação desta afecção é com a estase venosa crônica (Sd. Insuficiência Venosa Crônica). Mello⁴ acrescenta o conceito de haver um comprometimento de algumas arteríolas locais, com isso, apesar de ocorrer uma “compensação” pelas arteríolas normais adjancentes, o fluxo sanguíneo na região diminui, não o bastante para causar a necrose do local, mas sim para prejudicar o crescimento celular,  formando a atrofia branca.

Essa angiodermite é uma afecção crônica, segmentar e, na maioria dos casos, o paciente relata longo curso de evolução. Apresenta-se como pequenas máculas purpúricas (avermelhadas) recorrentes, dolorosas, que se curam deixando áreas atróficas, lisas, de coloração branco-marfim, rodeadas de pigmentação parda e telangectasias.

Apesar de ser frequente a instalação da atrofia branca sem ulceração precedente, as máculas podem evoluir para ulcerações, que podem ocorrer espontaneamente (sem fator precipitante) ou após algum tipo de agressão local e ao curar, mostra-se com a clásica cicatriz hipopigmentada e atrófica.

Não há relatos de achados laboratoriais significativos e a histopatologia varia de acordo com o estágio da lesão biopsiada.

O tratamento geralmente é insatisfatório e tem como base respouso no leito com a perna ligeiramente elevada. Todavia, Winkelmann et al. obtiveram bons resultados usando ácido nicotínico e hospitalização.

É primordial que já nos primeiros sintomas e sinais seja feita a procura ou o encaminhamento ao Angiologista, afim de promover uma consulta especializada com uma avaliação do comprometimento vascular existente. Pois, quanto mais precoce for feito o diagnóstico correto, mais rápido será empregado o tratamento adequado e maior será a possibilidade de uma resposta terapêutica satisfatória.

Atrofia de Milian em malolo interno direito  Seta Vermelha: Atrofia Branca

Foto: Paciente apresentando Atrofia Branca de Milian em região do maléolo interno do membro inferior direito (seta vermelha).

Referências Blibliográficas:

-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

1.Milian G: Les atrophies cutanées syphilitiques. Bull Soc Franc Dermatol Syph, 36:865, 1929.

2.Mello N A. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998. 322p

3.Ryan T T: Microvascular Injury. W. B. Sauders Co. – Philadelphia, 1976.

4.Mello N A: Informação Pessoal

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