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Acrocianose

Dr. Hugo Coelho Neves - 23 de setembro de 2011

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É uma doença microcirculatória na qual o paciente apresenta uma cianose uniforme e permante, com hipotermia e ser indolor. Acomete mais as mulheres jovens que relatam mãos e pés roxos, e os exames não evidenciam obstrução em troncos vasculares regionais. 

Ocorre devido a dilatação atônica capilar, que pode se estender até a vênula, e devido a presença de capilares com calibres maiores que o normal (denominado como “gigantismo capilar” por Fernando L. V. Duque). Essas alterações fisiopáticas acarretam uma exacerbada estase venosa, que levará ao aumento da hemoglobina reduzida e, consequentemente, surgimento da cianose local.

A clínica dessa angiopatia tem como característica marcante a presença de mãos permanentemente cianóticas, com cor uniforme, e pode estar mais acentuada nas falanges distais. É comum a constatação de hipotermia, de hiperidrose local, sem quieixas de dor local.

Por não causar dor, nem distúrbios tróficos locais, as principais queixas são a cianose permanente, com comprometimento estético, e a hiperidrose, que muitas vezes dificulta as atividades profissionais destes pacientes.

Pode ocorrer na forma primária, na qual o paciente apresenta atonia capilar marcante de origem congênita; ou na forma secundária, na qual o paciente sofre distúrbios endócrinos, geralmente por insuficiência gonadal no período da puberdade.

O diagnóstico pode ser feito através de provas térmicas nas mãos com alternância de temperaturas. Nos pacientes acometidos há  demora acentuada para a volta à temperatura normal, anterior ao início da prova. Através do exame de capilaroscopia pode ser feito o diagnóstico definitivo, pela constatação de alterações do tamanho e do fluxo no leito capilar.

O mais importante no tratamento é orientar e esclarecer as dúvidas do paciente, mudar atitudes que visam a diminuir a intensidade do quadro, tais como: evitar exposição ao frio e fortes emoções. Outras medidas, como reposição hormonal, cirurgias e radioterapias, devem ser aplicadas em casos bem selecionados.

A acrocianose tem um bom prognóstico clínico, porque além de não levar à lesões distróficas e nem a dor, os sinais e os sintomas da doença tendem a diminuir com o passar dos anos e pode chegar à cura espontânea.

É primordial que já nos primeiros sintomas e sinais seja feita a procura ou o encaminhamento ao Angiologista, afim de promover uma consulta especializada com uma avaliação do comprometimento vascular existente. Pois, quanto mais precoce for feito o diagnóstico correto, mais rápido será empregado o tratamento adequado e maior será a possibilidade de uma resposta terapêutica satisfatória.

Acrocianose em falanges distas

Referências Blibliográficas:

-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

-Mello N A: Aula: Acrocianose. Curso de Especialização em Angiologia da Esc. Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.

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