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Sndrome de Raynaud

Dr. Hugo Coelho Neves - 03 de novembro de 2011

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O fenômeno de Raynaud é uma manifestação clínica que não é rara na prática médica e pode sugerir o diagnóstico precoce de várias doenças.

A primeira descrição desta afecção foi realizada por Maurice Raynaud em 1862, que denominou a doença de “asfixia local e gangrena simétrica das extremidades”.

As principais manifestações são as mudanças de coloração em curto prazo de tempo (segundos ou minutos), que acomete principalmente os dedos das mãos, com exceção do dedo polegar. Estas manifestações têm a característica de se apresentarem em condições que estimulem a atividade vasomotora, como: exposição ao frio, à fortes emoções e à mudança brusca de temperatura ambiente.

No estudo dessa doença microcirculatória, deve-se distinguir três denominações que podem gerar dúvidas, são elas: Fenômeno de Raynaud, Doença de Raynaud e Síndrome de Raynaud.

O termo fenômeno de Raynaud abrange o aparecimento de mudanças sucessivas de coloração nas partes acras, sem implicações diagnósticas da causa. Essa mudança mudança pode ser de três tipos: Trifásica (inicia com palidez, passa a cianose e finalmente aparece a coloração avermelhada), Bifásico (inicia ou com a cor pálida  em seguida avermelhada ou com a cor cianótica  em seguida de avermelhada), Monofásica (pode se apresentar com a coloração isoldada pálida ou cianótica). Sempre mantendo a característica clínica da fugacidade.

A doença de Raynaud é um diagnóstico de exclusão e só pode ser estabelecido quando, após cinco anos de pesquisa, não for encontrado nenhuma causa para explicar o fenômeno de Raynaud. Sendo assim, este termo é utilizado para a forma primária desta afecção. Não apresenta etiopatogenia definida, sendo que o próprio Maurice Raynaud relata a favor do aumento da atividade neurossimpática local. Esta forma tem característica hereditária e acomete, principalmente, mulheres nas segundas e terceiras décadas de vida.

A síndrome de Raynaud é o termo utlizado para a forma secundária, no qual foi diagnosticada alguma doença de fundo que explique a hiperatividade vasomotora. Tem como causa mais frequente as colagenoses, entre elas a que mais se destavca é a Esclerodermia Sistêmica Progressiva (ESP). O exame de capilaroscopia confere uma resposta exacerbada dos vasos sanguíneos às excitações fisiológicas. Nas doenças arteriais periféricas a explicação seria que a arteria comprometida poderia gerar estímulos vasoconstrictores (exemplo típico é a Tromboangeiite Obliterante).

Sendo importante ressaltar, que o fenômeno de Raynaud pode preceder em muitos anos as manifestações clínicas mais marcantes da doença de base. Assim, esse tempo de cinco anos de pesquisa sem causa estabelecida para definir como Doença de Raynaud (forma primária) é questionável, pois há autores que relatam a definição do diagnóstico de  ESP após doze anos do surgimento do fenômeno de Raynaud¹.

As crises começam gradualmente e nas fases iniciais, as mãos se encontram normais fora das crises. Com o agravamento é frequente ser encontrada certa esclerose cutânea após alguns meses ou anos. Em fases mais avançadas, podem ser encontradas processos distróficos (atrofia das falanges distais e absorção óssea), ulcerações das extremidade dos dedos e lesões tróficas das unhas.

Esses pacientes também geralmente apresentam queixas de manifestações neurais associadas, como parestesias e sensação de ardência.

O diagnóstico é feito pela anamnese, onde o paciente relata as mudanças de coloração a curto prazo. A maior dificuldade esta no rastreamento do diagnóstico da doença de base e o modo de apresentação do fenômeno de Raunaud sugere as primeiras orientações, como por exemplo, se acometer apenas um membro sugere causa locorregional.

O tratamento dos pacientes com a Sd. de Raynaud consiste em medidas gerais para evitar as precipitações das crises, tais como: evitar exposição ao frio, proteger as mãos com luvas, evitar medicamentos vasoconstrictores, evitar excitações psíquicas, entre outras. Pode ser feito terapias vasodilatadoras, além do tratamento da doença de base.

O prognóstico vai depender da doença de base em caso de ser da forma secundária. Se for primária, as medidas permitem alívio dos sintomas, porém não há cura.

É primordial que já nos primeiros sintomas e sinais seja feita a procura ou o encaminhamento ao Angiologista, afim de promover uma consulta especializada com uma avaliação do comprometimento vascular existente. Pois, quanto mais precoce for feito o diagnóstico correto, mais rápido será empregado o tratamento adequado e maior será a possibilidade de uma resposta terapêutica satisfatória.

Sd. de Raynaud Tetramlico com necrose distal      Sd. de Raynaud Tetramlico com necrose distal

Referências Blibliográficas:

-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p

-Mello N A. Aula: Síndrome de Raynaud. Curso de Especialização em Angiologia da Esc. Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.

1. Mello N A.: Informação Pessoal.

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