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Histria da Angiologia

Dr. Hugo Coelho Neves - 07 de agosto de 2011

(1 comentário)
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A busca pela história da Angiologia é um trabalho contínuo, por isso, esse texto estará sempre em desenvolvimento, onde serão aderidas novas informações a cada descoberta. Procuramos montar essa “linha do tempo” com os principais fatos para, além de uma melhor organização, mostrar como as evoluções e experiências ocorreram de um modo conjunto e dinâmico.

1550 a.C: Papiro de Ebers: documento da antiga medicina egípcia descoberto em 1873, já citava termos referentes às varizes, como “dilatações serpentiformes nos membros inferiores”.

460 a.C: Nascia Hipócrates, que cita em diversas obras os seus conhecimentos das doenças venosas dos membros inferiores. Como exemplo, temos: “em casos de úlceras, não é bom ficar em pé”, “grandes úlceras são consequências de lesões nos membros com varizes”. Sem contar que ele já utilizava frio para diminuir edemas, dores e hemorragias. E também realizou procedimentos “cirúrgicos”, onde fazia inúmeras incisões na veia e enfaixava o membro, visando provocar uma lesão venosa e obter a oclusão da variz.

350 a.C: Pedra esculpida encontrada no Templo de Amynos, onde mostra uma veia varicosa em uma perna, que possivelmente foi uma oferenda levada ao Templo como agradecimento à cura dessa afecção. Por ser a imagem mais antiga documentada da doença vascular, utilizamos a idéia dessa escultura como a logo do nosso site.

Pedra esculpida (Templo de Amynos)

105 a.C: Descrição da primeira exérese de varizes, que foi realizada por um cirurgião romano (nome não encontrado).

130-200 d.C: Galeno descreve a extirpação de veias varicosas entre duas ligaduras.

607-690: Paul Aegineta, aluno da Escola de Alexandria, descreveu a ligadura da grande safena no terço superior da coxa.

936-1013: Albucasis descreveu uma cirurgia de retirada de varizes com fleboextrator.

1363:   Gui de Chauliac relizou a técnica de extirpação e cauterização das varizes, seguida de contenção elástica.

1517: Nascia Ambroise Paré, que tratou de uma úlcera na perna do rei Henrique II, utilizando curativos e contenção elástica.

1627: Asellius descreve pela primeira vez os vasos quilíferos, iniciando o estudo do Sistema Linfático.

1667: Sigismund Elsholtz entrou na história por realizar a primeira escleroterapia. Este médico alemão utilizou um osso de ave biselado no papel de agulha e injetou uma infusão de plantas numa veia varicosa, realizando a esclerose. Dando início ao avanço dessa técnica.

Várias substâncias foram utilizadas como esclerosantes no decorrer da história. Nesta sequência, para evitar um texto cansativo, listaremos a data do início do uso de apenas algumas substâncias, seja por importância ou por apenas curiosidade, e dando sequência aos outros fatos importantes ocorridos na evolução da Angiologia.

1813: Monteggio utilizou álcool absoluto como esclerosante de vasos.

1829: Academia Nacional de Medicina é fundada no Brasil em 1829 pelo Dr. Joaquim Cândido Soares de Meireles sob o nome de Sociedade de Medicina¹.

1849: Pravaz, cirurgião francês, inventou a seringa e a agulha, acarretando no início de uma nova fase da escleroterapia. E em 1851, esse mesmo ciurgião, utilizou percloreto de ferro para esclerose de artérias.

1862: Primeira descrição da Síndrome de Raynaud realizada por Maurice Raynaud².

1884: Weinlechner descreveu um trabalho utilizando o percloreto férrico em 32 pacientes, obtendo 18 gangrenas locais.

1894: Delore, em um congresso médico na França, apresentou as primeiras descrições da fisiopatologia dos esclerosantes.

1896: Crocq descreveu pela primeira vez a Síndrome da Acrocianose (ver artigo sobre Acrocianose)³. Sendo maior estudada por Cassier em 1912⁴.

1917: Kausch utilizou a glicose hipertônica como escleroterapia.

1927: Doerffel descreveu a utilização como esclerosante do açucar de uva a 50%.

1929: Millian fez a primeira descrição da Síndrome da Atrofia Branca de Milian (Vasculite Livedóide)⁵.

1937: Biegeleisen iniciou a utilização do oleato de monoetanolamina (Ethamolin).

1942: Martorell, juntamente com um grupo de médicos, criou o termo Angiologia, tornando uma especialidade realmente individualizada.⁹

1945: Martorell produz a primeira descrição clássica da Úlcera Isquêmica Hipertensiva (ou Úlcera de Martorell)⁶.

1947: Tournay fundou a Sociedade Francesa de Flebologia.

1944: Orbach propôs o uso de espumas esclerosantes, obtendo maior contato do esclerosante com a parede do vaso.

1950: a Angiologia passa a ser mundialmente reconhecida, com a criação da International Society of Angiology, que realizou seu primeiro congresso em Atlantic City, nos Estados Unidos, em 1951.⁹

1952: Em 1° de Novembro deste ano, foi fundado a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

1953: Em 5 a 11 de julho deste ano foi realizado em Belo Horizonte (MG), o I Congresso Brasileiro de Angiologia, em conjunto com X Congresso Brasileiro de Cardiologia⁷.

1955: Fernando L. V. Duque cria o 1° Ambulatório e Serviço de Angiologia do Brasil⁸.

1961: Belo Horizonte realizou o VIII Congresso Brasileiro de Angiologia, que pela primeira vez foi realizado isoladamente⁷.

1962: O primeiro curso de pós-graduação em Angiologia é fundado pelo Dr. Fernando L. V. Duque⁸, que faleceu em 17 de Janeiro de 2012. Hoje é coordenado pelo mestre Dr. Ney Almeida Mello.

1966: Henschel descreveu a escleroterapia usando o oxipoliethoxidodecan (polidocanol).

1974: Foi realizado em Blumenau- SC, a I Jornada Brasileira de Angiologia¹⁰.

2006: Em Belo Horizonte foi realizado o I Congresso do Capítulo Latino Americano da IUA e III Fórum Venoso LatinoAmericano, presididos por Marcio de Castro Silva⁷.

 

Referências Blibliográficas:

- Francischelli, M: Uma Breve História do Conhecimento das Varizes, da Escleroterapia  e da Crioescleroterapia. Acesso em: 10 de Semtembro de 2011, Disponível em:

1. Wikipédia: A enciclopédia livre. Acesso em: 16 de Semtembro de 2011, Disponível em:

2. Raynaud M: De I’Asphyxie locale et de la Grangrène Symétrique des Extremités. Rignoux, Paris. 1862.

3. Weil Mitchell S:Clinical lecture on certain painful affections of the feet. Philadelphia M Times, 3:81, 1872

4. Weil Mitchell S: On a rare vaso-motor neurosis of the extremitites, and on the maladies with it may be confounded. Am J M Sc, 76:2, 1878.

5. Milian G: Les atrophies cutanées syphilitiques. Bull Soc Franc Dermatol Syph, 36:865, 1929.

6. Martorell F: Las úlceras supramaleolares por arteriolitis de las grandes hipertensas. Actas del Instituto Policlínico de Barcelona, dic, 1945.

7. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Regional Minas Gerais. Acesso em: 16 de Semtembro de 2011, Disponível em:

8. Mello N A.: Informação Pessoal

9. Brum, O. Angiologia Básica. São Paulo: BYK, 1989. 295p.

10. SBACV-RJ. Acesso em: 21 de Semtembro de 2011, Disponível em:

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LTIMOS COMENTRIOS (1)
Bruno Naves diz: 20/08/2014 - 23:30
Muito interessante o trabalho . Devemos prestar uma homenagem especial a Martorell e Orbach. E lembrar da grande participao da regional mineira na alavancagem da especialidade. Parabns pelo artigo.
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